sexta-feira, julho 18, 2014

João Ubaldo Ribeiro, um brasileiro de Itaparica

Aos domingos, sempre que eu comprava um exemplar de “O Globo”, meu primeiro olhar corria para o caderno aonde encontraria o artigo de João Ubaldo Ribeiro. Me deliciava com as estórias que ele narrava contando suas estadias na Ilha de Itaparica e seus personagens memoráveis, reais ou imaginários.
 
As suas aventuras pela orla carioca, um café, um diálogo com o jornaleiro, um chope com os amigos, tudo era contado com extrema perícia pela riquíssima prova do grande escritor. Vencedor de grandes prêmios que honraram suas qualidades como contador de estória, talvez não soubesse que conquistara o maior de todos: o coração dos brasileiros que insistem em ter acesso a uma boa literatura.
Critico contundente de pessoas públicas que desempenharam suas funções não tão republicanamente como deveria ser, me parecia um inveterado esperançoso de dias melhores. Seus textos são obras-primas que poucos terão a oportunidade de igualar, nunca ultrapassar. Seus leitores sentirão a enorme ausência da sua voz rouca a denunciar as coisas que o incomodavam, mas terão como consolo os seus textos que, muitas vezes, soaram como chibatadas no lombo dos oportunistas e mentirosos. Talvez os corruptos pensem que agora terão descanso, uma vez que sua voz se calou, mas enganam-se. As palavras escritas por João Ubaldo ficaram eternizadas nos olhos dos leitores que as repetirão à exaustão por todo o sempre. Viva o povo brasileiro! Viva João Ubaldo Ribeiro, um brasileiro de Itaparica.

terça-feira, julho 15, 2014

Não choro por ti Argentina

Acabou. Depois de sessenta e quatro partidas chegou ao fim a Copa do Mundo e aqui no Rio de Janeiro, também acabou a farra dos feriados. Se segura parceiro que a transa é sinistra e o negócio é cabuloso. Feriado agora só em Novembro. Vai ser duro de aguentar. Eu já estava acostumado com essa semana de quatro dias e agora terei que me readaptar ao trabalho. Fazer o quê, meu camarada!

A Copa terminou como deveria terminar. O melhor time foi campeão. Graças a Deus! Escapamos de passar quatro anos sendo sacaneados pelos nossos hermanos argentinos. Passaram a Copa toda nos zoando, agora voltam para casa com o rabo entre as pernas. Ah, não choro por ti Argentina, afinal, Pelé tem mais Copas do que você.

Bem, voltamos à nossa vidinha sem graça. Os escândalos políticos voltam a ter destaque nos noticiários, Perceberemos que nossos representantes emendaram a Copa com as eleições e que só voltarão a trabalhar em Novembro, mas aí já vem o Natal e o Ano Novo, vai ter recesso e com isso eles emendarão a farra até o fim do carnaval de 2015.
Teremos eleições e a oportunidade de escolher entre o mais do mesmo ou a renovação, mas iremos nos deparar com candidatos com roupa nova e velhas ideias. No âmbito Estadual, velhos candidatos, velhas ideias e desejos de transformarem o Estado em sustento eterno de suas famílias. Há a possibilidade de vermos novamente a República do Chuvisco em todo seu esplendor ou então o estabelecimento da oligarquia nordestina vermelha ou o proselitismo cristão. Isso sem esquecer que poderemos continuar sendo governados por um vulgo. Sabe de uma coisa? Quero isso não. Tô de boa.

quarta-feira, julho 09, 2014

A derrota das derrotas

Foi embora o sonho do Hexa. Ficaram os elefantes brancos, as filas nos hospitais, os aeroportos inacabados, as pontes que vão do nada para lugar nenhum, as obras sem licitação. O sonho brasileiro desabou no Mineirão como desabou o viaduto construído às pressas e que vitimou duas pessoas e feriu vinte e três. Como disse nossa comandante em mensagem à seleção: é tóis!

Era para ser a Copa das Copas. Esqueceram de combinar com os alemães. Ouvi de muitas pessoas que essa Copa estava comprada e que seriamos campeões, mesmo com um time fraco e dependente de um único craque. Parece que alguém se esqueceu de pagar uma das parcelas. Eu fiquei esperando que a transmissão do jogo fosse interrompida a qualquer momento para que fosse mostrada a imagem de carros fortes chegando ao Mineirão, abarrotados do dinheiro que nos garantiria o Hexa. Graças a Deus isso não aconteceu. A vergonha seria maior.
 
É muito fácil, agora, apontar erros nas escalações e nos esquemas táticos. Assim como crucificar alguns jogadores, a despeito de suas visíveis entregas dentro de campo. A vitória mascara nossas deficiências e permite nos enganar. A derrota escancara nossas limitações e erros, e nos dá a oportunidade de fazer diferente da próxima vez. Sempre aprendemos mais com os erros do que com os acertos.
A maioria dos jogadores dessa seleção joga no exterior. Isso demonstra que a estrutura do nosso futebol está carcomida. No último campeonato carioca vimos jogo do Flamengo, uma das maiores torcidas do país, com exatos trezentos e setenta e cinco pagantes. O torcedor se nega a pagar caro por jogos com atletas desconhecidos, horários inconsequentes, sem segurança dentro e fora dos estádios e outros itens que desafiam o Estatuto do Torcedor.
 
Entramos, assim, num circulo vicioso em que os clubes não têm renda porque não tem bons jogadores e não conseguem contratar e manter bons jogadores porque não têm renda. Não há um planejamento estratégico para um dos maiores negócios desse país. Nosso futebol, apesar de transacionar cifras milionárias, é amador.
Temos que utilizar essa derrota para a Alemanha para cobrar de nossos dirigentes a profissionalização de nosso futebol. Dirigente que, comprovadamente, fizer uma gestão fraudulenta, dilapidando o patrimônio do clube, tem que ir para a cadeia.
 
Sei que falar de punição para políticos e dirigentes de clubes de futebol no Brasil é uma autêntica piada, quando vemos pessoas presas por corrupção sendo tratadas como verdadeiros heróis por parte da população. Estranho ver o número exorbitante de casos em que pessoas são presas por venda ilegal de ingressos. Muitos dirão que isso sempre existiu nos países em que a Copa do Mundo foi realizada, porém as autoridades desses países não conseguiram prender ninguém. Aqui no Brasil, temos uma policia altamente treinada, disposta a colocar na cadeia todos os malfeitores do mundo, dando uma autentica lição ao mundo do que é ser eficiente e eficaz no trato com o crime, seja ele organizado ou não.
Então me vem à mente a seguinte questão: será que nossa polícia é realmente maravilhosa ou os criminosos, amadores e profissionais, entenderam que aqui ninguém vai preso por delitos como venda ilegal de ingressos ou corrupção e que, portanto, poderiam lucrar como nunca vindo para nosso país? Não é para cá que fogem todos os criminosos nos filmes americanos?
 
Li em jornais e revistas que alguns gabinetes de deputados receberam a oferta de venda de ingressos por parte de um advogado de São Paulo. Não tive notícia que o Presidente da Câmara de Deputados ou mesmo um deputado qualquer que tenha recebido a oferta, tenha encaminhado uma denuncia à Policia Federal. Qualquer cidadão, diante flagrante delito, pode dar ordem de prisão a quem o está cometendo e o encaminhar até uma autoridade policial. Não me consta que nenhum deputado tenha realizado esse ato.
Hoje está nos parecendo que ficou para nós o bagaço da laranja, mas podemos virar esse jogo. Basta cobrarmos de nossos governantes as mudanças que queremos ver realizadas no nosso país.
Nunca é de mais lembrar: jogadores cubanos não serão a solução para ganharmos o Hexa em 2018.

terça-feira, julho 08, 2014

Vai, Brasil! Verás que um filho teu não foge à luta!

No momento exato em que o craque dominou a bola, a joelhada fatal atingiu suas costelas e o tirou de combate. Mais do que seus companheiros, a nação sentiu as dores e as transmutou em desalento. De repente, aquela certeza fincada no fundo da alma foi arrancada e deu lugar a insegurança. Sem o craque, não sabemos o que será de nós.

O povo brasileiro vive em busca de um Messias. Buscamos a salvação e solução de nossos problemas nas mãos e nos pés de uma pessoa. Foi assim com o cavaleiro colorido e com o sapo barbudo. Está sendo assim com o craque. Com os dois primeiros, vimos o país mergulhar na corrupção e no lamaçal. Há quem diga que não se faz política sem sujar as mãos no lodo mais fétido. Com o craque, vimos ruir nosso sonho do hexa em meio a um mar de lágrimas, antevendo a frustração da derrota diante dos alemães.
De repente, aquele povo alegre e confiante saiu de cena e entrou um povo pessimista que faz do culto à derrota seu comer do dia a dia. Estamos desorientados, buscando uma bússola que possa nos tirar desse beco escuro e lúgubre que nos leva às profundezas do Hades.
Na falta do craque, esquecemos nossos outros guerreiros. Estamos a perder a luta antes mesmo de entrar na guerra. Arriamos nossos estandartes, baixamos a cabeça e por isso mesmo, não conseguimos ver que o sol ainda brilha, iluminando o campo de batalha. Nossos adversários, acostumados a tantas lutas, não entendem a razão de tanto pessimismo.
Vai, Brasil! Verás que um filho teu não foge à luta! Ergamos as nossas cabeças e encaremos de frente a oportunidade de fazer um novo futuro. Somos fortes. Somos audazes. Nosso futebol sempre encantou o mundo e não será desta vez que sairemos da Copa com a pecha de derrotados. Seja qual for o resultado, seremos vitoriosos, porque não nos negamos a lutar pelo nosso ideal: o hexa!
Assim, seja qual for a nossa colocação no final desta Copa, estaremos de pé e orgulhosos de ter feito a melhor Copa do Mundo. Essa não é a Copa das Copas, como querem alguns. Essa é a Copa do povo brasileiro e o mundo saberá que nós, além de sermos o país do futebol, somos o país de um povo que sabe se orgulhar de suas conquistas e de sua estória. Prá frente, Brasil!

segunda-feira, julho 07, 2014

Agora é nós

Chegamos, aos tranco e barrancos, mas chegamos. Estamos na semifinal da Copa do Mundo 2014. Entretanto, nossa alegria não foi completa. Perdemos a nossa esperança de gols, pelo menos é assim que estamos entendendo este momento. Demorou, mas o Brasil chegou à conclusão que é extremamente dependente do talento de Neymar.
 
Estou achando tudo isso um tanto estranho. Parece que já temos uma desculpa para o caso de a nossa seleção não conseguir passar pela forte Alemanha, e  que irá aliviar a nossa dor e despir a seleção da obrigação imposta por nós, torcedores, de vencer Copa no Brasil a qualquer custo e nos redimir do vexame da Copa de cinquenta.
 
Caso vençamos, poderemos nos ufanar e respirar aliviado, sem, entretanto, apostar na vitória do Brasil no jogo da final. Ora, todos nós, torcedores assíduos ou não, sabíamos que esse time é dependente do brilho de Neymar, assim como a Argentina é das jogadas de Messi, Portugal de Cristiano Ronaldo e a França de Benzema. Nós poderíamos ser diferentes, mas Felipão escolheu vencer ou perder com as suas convicções. Não está errado. O problema é que o “imponderável” cruzou o caminho da nossa seleção.
Esse acidente ocorrido com Neymar tem levado algumas pessoas a extremos, como se tudo dependesse de uma partida de futebol. A atriz Débora Secco postou uma foto na rede demonstrando toda sua felicidade pelo momento de alegria pela qual está passando. Para quê! Um internauta a criticou por ela estar feliz quando ele estava triste por Neymar estar contundido e não mais participar do mundial. Menos, amigos, menos.
 
O Brasil perdeu a Copa de cinquenta e o país não acabou. Continuamos crescendo, nos desenvolvendo, avançando na política, na industrialização e na pesquisa. Novos craques surgiram e o Brasil foi campeão em 58, 62, 70, 94 e 2002. É claro que ganhar uma Copa do Mundo é tudo de bom, mas perder não é o fim do mundo.
Eu que, ainda menino, vi o país ganhar a Copa de 70, que fiquei triste com a eliminação da seleção de oitenta e dois e que vibrei com as conquistas de 94 e 2002, espero que essa seleção possa se reinventar sem a presença de Neymar e que dentro de campo surja um talento adormecido que exploda numa arrancada em direção ao gol e estufe as redes adversárias libertando da garganta de todos os brasileiros o grito aprisionado que fará de nós os únicos hexacampeões do planeta bola. Vamos lá Brasil! “Agora, é nós”.


 

quarta-feira, julho 02, 2014

A abstinência de bom futebol


Estou procurando desesperadamente algo que me alivie os sintomas da abstinência de bom futebol. Dois dias sem jogos da Copa estão me parecendo agora um eterno suplicio. Hoje me vi assistindo a reprise dos jogos de ontem, mas a minha dependência do futebol bem jogado ficou mais latente.
Isso me fez raciocinar em cima do que teremos quando a Copa acabar. Serei obrigado a ver novamente as partidas sem graça e sem público do Campeonato Brasileiro. Mais terrível ainda será quando chegar a hora do Campeonato Carioca. Acho que não vou resistir. Terei que imigrar para a Europa para sentir de novo essa mesma emoção.
Uma dúvida atroz tomou conta do meu cérebro. Será a constatação de que não estão jogando a altura de seus concorrentes ao título, o verdadeiro motivo do pranto tantas vezes derramado por nossos jogadores? Uma parte de mim diz que não, outra duvida. A verdade é que nossa seleção está praticando um futebol de sobressaltos e as consequências estão sendo fatais para alguns torcedores. Há relatos de casos de óbitos nos estádios e em frente as televisões. Pelo sim e pelo não, amanhã vou ao meu cardiologista. Com essa seleção brasileira, nunca é demais se precaver.

A menina que queria prender o sol

Beatriz é uma menina muito espevitada. Tem quatro anos, mas gostaria de ser adulta. Quando perguntada o por quê desse desejo, responde que adulto pode tudo, inclusive ver televisão até de manhã. Não adianta explicar que adulto tem insônia e que às vezes ver televisão na madrugada ajuda passar o tempo. Ela retruca que o tempo não pode passar, pois tem muita coisa para fazer, inclusive brincar.

Bia, como Beatriz é mais conhecida, gosta muito de desenhar e pintar. Não necessariamente nesta ordem, mas a qualquer hora do dia... ou da noite. Ela é um pinguinho de gente, magrinha com cabelos negros e escorridos que às vezes lhe cobrem os olhos de menina sapeca. Faltou dizer que Bia também chora por quase nada. Nada? Para ela é quase tudo.

 Semana passada Bia dormia em seu quarto, ainda de manhã, quando um raio de sol começou a brincar com seus olhos. Sonolenta ela os cobriu para fugir do sol e continuar a dormir, mas o raio de sol penetrou por uma fenda da coberta e iluminou os seus olhos. Ela então, os cobriu com as mãos, mas esqueceu-se de fechar os dedos e o raio de sol continuou iluminando seus olhos. Então, ela se virou de bruços para fugir do insistente raio de sol cobrindo-se totalmente. Quando se descobriu, percebeu que o raio de sol agora iluminava sua cama. Bia teve uma grande ideia: pegaria o raio de sol e o guardaria dentro de uma de suas inúmeras caixas de brinquedo. Quando botou a mão em cima do raio de sol viu que ele ficou por cima de sua mão. Intrigada tentou cobrir o raio de sol com a outra mão, mas ele também ficou por cima de sua outra mão.

“Caraca! Esse sol é muito esperto! Como vou prender esse solzinho?” - perguntou-se Beatriz.

Olhando em volta de seu quarto procurou alguma coisa que pudesse lhe servir para aprisionar aquele teimoso raio de sol, mas tudo que usava não conseguia prendê-lo. O que também estava deixando Beatriz irritada era o fato de que o raio de sol, com o passar do tempo, mudava de lugar e agora já estava sobre o seu tapete de borracha vermelho. Ela pensou em chamar sua mãe, mas lembrou-se de que ela sempre lhe dizia que já era uma mocinha e que não podia mais chorar à toa e, se era assim, ela com certeza também poderia prender aquele simples raiozinho de sol.

“Tenho que prender esse solzinho em algum lugar antes que mamãe venha me acordar. Se ela entrar aqui e encontrar esse sol como vou dizer que ainda é muito cedo para me levantar?” - pensou Beatriz.

Bia tentou prender o sol com um saco, com uma colcha, com uma luva, um casaco, um caderno, um prendedor de cabelo, uma revista, uma sandália e até com seu roupão, mas nada conseguia aprisionar o raio de sol.

“Beatriz!”, ela ouviu a voz de sua mãe lhe chamando.

“Estou perdida! Quando ela entrar e encontrar esse solzinho não terei como ficar na cama um pouco mais...”, pensou Beatriz.

De repente sua mãe entrou no quarto e foi então que o milagre aconteceu: uma nuvem enorme ficou em frente à janela de seu quarto, aprisionando o raio de sol.

“Ufa!”, pensou Beatriz, “Estou salva.”

“Minha filha, o que você está fazendo fora da cama? Ainda está com soninho?”

Beatriz fez que sim com a cabeça, então sua mãe falou:

“Hoje é sábado e não tem escola. Você pode dormir mais um pouquinho.”

 Beatriz ficou feliz com a notícia. Olhando para a janela onde a nuvem começava a soltar os raios de sol, disse para sua mãe:

“Está um dia lindo e eu quero me levantar cedo para brincar muuuuito!”.