Esse blog é um espaço para publicação de textos originais e experimentações, numa interação entre o fazedor de literatura e o leitor.
quarta-feira, junho 25, 2014
Vencemos, mas não convencemos
Tento compartilhar da
pretensa euforia com que as emissoras de televisão propagam a vitória do Brasil à
frente da fraca seleção de Camarões, mas não consigo. O jogo que vi foi xoxo,
sem qualquer lance daquilo que nos acostumamos a chamar de bom futebol.
Talvez tenhamos mesmo que
nos contentar com o que nos foi apresentado. Lançamentos da intermediária
buscando os mágicos pés de Neymar ou a cabeça inconstante de Fred. Sem um
lampejo sequer de criatividade no meio de campo, dependeremos da sorte, essa
madrasta que tantas vezes nos fez ficar pelo meio do caminho.
Talvez sejamos eternamente
órfãos do escrete de setenta e da magia da seleção de oitenta e dois. É difícil
acreditar que esses mesmos jogadores que nos fizeram vibrar na Copa das
Confederações possam agora nos deixar inseguros com o futuro da seleção, mas o
fato é que eles ainda não nos deram uma vitória convincente, daquelas que
possamos bater no peito e dizer a plenos pulmões: o campeão voltou!
Na falta de uma
vitória maiúscula, temos que nos contentar com os sobressaltos provocados por
uma defesa inconstante, mas somos brasileiros e não desistimos nunca. Torço
para que, mesmo aos trancos e barrancos, nossa seleção possa estar presente no
Maracanã na grande final e que nesse dia, os deuses do futebol olhem por nós.
segunda-feira, junho 23, 2014
O jogo só acaba quando termina
Tudo pode acontecer em um minuto. Você pode ir do inferno ao paraíso ou ficar pelo meio do caminho. Para quem viu as portas abertas do aeroporto indicando o caminho para casa, uma sobrevida de alguns dias vale muito, mesmo que a classificação para a segunda fase seja muito remota.
Ao soar o apito final, vemos
jogadores atônitos perambulando pelo gramado a procura de explicações para o
gol sofrido no derradeiro minuto. Muitos se quedam perplexos olhando a torcida
inconformada com o vacilo antes do apito final. Parecem não entender o que
aconteceu e procuram as razões para o erro olhando para o infinito.
Espero que as derrotas e os
empates vindos para aqueles que já eram íntimos da vitória sirvam de alertas
para eles e para os outros. Como diz a máxima do futebol, o jogo só acaba quando
termina.
domingo, junho 22, 2014
Desafiando o impossível
Não sabendo que era
impossível foram lá e fizeram. Essa frase de autoajuda reflete o desassombro
com que algumas seleções, ditas sem tradição, estão incomodando as grandes
pretendentes ao título. Os jogadores dessas equipes parecem não conhecer quem
está do outro lado do campo. Jogam como se fossem os donos da casa e cobrem-se
da glória destinada aos grandes heróis.
Do outro lado, seleções
tidas como certas na sequencia da competição estão voltando para casa com o
orgulho ferido. Alguns podem dizer que subestimaram os adversários, outros
dirão que não souberam avaliar o futebol que está sendo jogado nos quatros
cantos do planeta, mas creio que apenas se esqueceram de tirar das malas o
futebol que as fez candidatas a vencedoras dessa competição.
Até onde poderão ir as
equipes que estão nos assombrando com o seu futebol alegre e objetivo não é possível
prever, mas se continuarem a desafiar o impossível, é certo que veremos uma
delas nas quartas de final. O futebol agradece.
sábado, junho 21, 2014
Terra de todos os gols
Terra de todos os santos.
Terra de todos os encantos. Uma fonte nova jorra gols aos borbotões inundando
de alegria a torcida nas arquibancadas. Nem os mais crédulos acreditariam que
essa seria a Copa das goleadas.
Os olhares atentos seguem a
corrida fatal dos artilheiros em direção à meta adversária. Os corpos ficam em
pé, os corações palpitam antevendo o arremate fatal que fará a bola se alojar
nos fundos das redes e as bocas se escancararem em gritos de gol.
São tantos os abraços e
tantas as comemorações que muitas vezes o torcedor só encontra descanso durante
a “ola”, a onda vertiginosa que não
se sabe aonde começa nem aonde termina, mas que propicia ao espectador atento
um fugaz intervalo entre uma comemoração e outra.
Peçamos aos deuses da Bahia
que o futebol praticado nessa Copa continue com essa busca incessante pela
vitória, de preferência com muitos gols.
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