quinta-feira, junho 26, 2014

O povo cordial


Somos um povo cordial. É fato. Mas o congraçamento entre os povos que temos visto nas arquibancadas durante essa Copa é, sem dúvida alguma, o ponto alto desta competição. É claro que temos visto excelentes partidas de futebol, com raríssimas exceções, o que também tem contribuído para a beleza do espetáculo.
O que temos visto nas ruas, bares, estádios e pontos turísticos deixa-nos com uma grande sensação de alívio, temerosos que estávamos de não realizar uma grande Copa do Mundo e, principalmente, da imagem negativa que os estrangeiros poderiam levar de nosso país.
 
Nosso povo está se desdobrando para receber e agradar torcedores do mundo inteiro que chegam ao nosso país havidos para conhecerem as nossas belezas naturais e a alegria que nos é tão peculiar.
Há pessoas que teimam em misturar a Copa com política, mas o povo está demonstrando na prática que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.” O cidadão comum está descontente com seus líderes e com o encaminhamento das questões econômicas. É vergonhoso termos políticos presos e participantes ativos nas questões do partido que governa o país, mas isso nada tem a ver com a Copa.
 
Nós queremos fazer a melhor Copa do mundo e deixarmos uma boa impressão em todos os torcedores que vierem nos visitar. Queremos mostrar um Brasil exuberante, um povo acolhedor e alegre, e, principalmente, que sabe respeitar as diferenças. Sim, temos os nossos problemas, mas trataremos disso depois da Copa.
Agora o momento pertence ao futebol, independente das nacionalidades. Que o espetáculo continue sendo belo, que os artistas da bola continuem respeitando o torcedor brasileiro e aqueles que vieram ao nosso país em busca da magia e do espetáculo que reúne jogadores, árbitros e torcedores em volta de uma esfera redonda. A bola vai continuar rolando, os gols continuarão a ser motivo de gritos e abraços. Como uma onda que nasce no infinito, a magia do futebol continuará a reinar entre nós, levando a torcida a explosões de eterna felicidade.

quarta-feira, junho 25, 2014

Viva a diferença!

Ainda havia uma tênue possibilidade da Itália seguir na competição, mas o Uruguai encarregou-se de sepultá-las sem qualquer resquício de piedade. Ficamos sem a elegância de Balotelli e continuaremos a ver o Uruguai mordendo literalmente a bola e os jogadores adversários.

Um italiano descontente com eliminação prematura de sua seleção resolveu explicitar sua decepção com um único jogador, justamente aquele que representa a diversidade de seu país. Segundo esse torcedor, Mário Balotelli não é italiano por ser negro e não ter nascido na Itália, portanto, Balotelli, para ter sua cidadania plena, deveria ter operado o milagre de classificar seu país para as oitavas de final.

Balotelli mostrou que é elegante não somente usando seus ternos italianos ou correndo altivo dentro de campo. Disse ele que não escolheu ser italiano e que por isso mesmo, seu amor pela Itália é como o de qualquer pessoa nascida naquele país e sua cor de pele e sua origem não devem ser utilizadas como armas por quem quer demonstrar sua insatisfação.

Vou mais além. O amor pela pátria se confunde com o orgulho quando se tem a oportunidade de defender as cores da bandeira da terra que nos acolheu e na qual aprendemos a cultivar nossas raízes. É gratificante ver nesse mundial tantas seleções apresentarem a diversidade de seus povos tendo como base unicamente a capacidade técnica que as coloca como as melhores para entrarem em campo defendendo as cores de suas bandeiras.
Tanta diversidade e tanto desejo de sagrar-se campeão do mundo me dão a esperança que um dia a Argentina entre em campo com uma seleção composta de jogadores de todas as raças. Brancos, negros, amarelos e índios, todos lutando pela vitória da gloriosa equipe portenha.
Viva a diversidade! Viva a mistura das raças! Viva o futebol!

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